9 de fevereiro de 2013

Meu menino

É um fugitivo que se esconde entre notas musicais e alimenta-se de pétalas. Todos vêem as nuvens que desenha nos olhos. Eu o vejo doído, ameno e contido. Veja bem, meu menino sente com a força dos trovões, mas só enxerga quem ousa mergulhar além das pálpebras. Ele só salva quem não teme se afogar em suas águas. Não gosta de meio-termo. Metades o enojam. Repugna-se com o talvez. Suas mãos inquietas se espalmavam na mesa como um ritual em que continha-se a esticar até tocar não sei o quê. Mas precisava tocar. Afaguei seus dedos sem pensar. Ele não se afastou. Precisava conter suas mãos, ou também tocar. Era preciso ligar-se de alguma forma àquela alma indecifrável. Quando enxerguei aquele par de olhos desconfiados, soube que estava perdida. Olhava além daquilo que podiam ver. Via cada cicatriz como se fosse uma ferida recém-aberta, o sangue manchando a roupa. Assustava. Surpreendia. Fascinava. me rasgou inteira, inspecionou cada curva da alma sem tirar os olhos dos meus. Mergulhei em seu mar e só notei quando senti seus braços me apertando o corpo. Poderia me afogar se quisesse, só para ver meu corpo submergindo em seu mar. Eu me renderia, só por ele, só por ser dele.
Era só ele. Era tudo ele.

Meu menino, tens meu coração entre os dedos.